Chico Pereira - Membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte - ABCA

Creio que existe um conflito entre suas criações artísticas e sua profissão, pois não é fácil para quem domina a ciência da anatomia ausentar-se da precisão racionalista para divagar nas asas da imaginação. 

 

 

ANATOMIA DA ARTE

Chico Pereira - Artista Plástico, Prof. UFPB e Critico de Artes

 

Atualmente a Paraíba tem vivenciado uma constante onda criativa nas artes. No caso das artes visuais, talvez por conta da edição de livros, exposições e o surgimento de novos espaços expositivos vêm se revelando uma nova geração de artistas, que, independente de suas origens e expressões, vão ampliando esse universo, alguns chegando de surpresa, outros a passos mais lentos, cada um se esforçando para mostrar seu talento e conseguir um lugar de destaque.

 

Acompanhando há tanto tempo esse cenário, tenho assistido a vocações que se consagram, e por diferentes razões, desaparecem da cena cultural diante das dificuldades que se processam na construção de uma identidade verdadeiramente artística.

 

No caso de Eulâmpio, reconheço uma situação muito especial quando o artista, que também é professor de anatomia, pretende transferir seus conhecimentos de ciência para as artes, numa razão inversa dos artistas do passado que buscavam no estudo do corpo uma realidade segura para construção dos seus objetivos estéticos. O artista vai mais além quando suas modelações extrapolam a anatomia e se projetam na representação psicológica da figura.

 

Creio que existe um conflito entre suas criações artísticas e sua profissão, pois não é fácil para quem domina a ciência da anatomia ausentar-se da precisão racionalista para divagar nas asas da imaginação. Daí, talvez, um certo ar de angústia nas suas representações quando o belo da arte se encontra com a fera do corpo exposto à realidade visceral.

 

Se para a construção de um professor de anatomia demanda tempo e profundos conhecimentos, na arte, nem tanto. Mas o artista não pode prescindir do conhecimento estético, da sensibilidade e do domínio do espírito sobre a matéria, sob pena de sua arte revelar outras coisas que não são do mundo da beleza, mesmo que suas criações materiais sejam perfeitas.                        

                                                     

Observando o processo criador de Eulâmpio, por mais que ele esteja próximo do seu exercício acadêmico, sua arte expressa um artista em construção que, certamente, em pouco tempo será reconhecido como tal. Aposto, com a minha experiência de professor e artista, que nele já existe a força necessária para se consagrar.

 

Chico Pereira – Artista Plástico, Prof. do Dep. De Artes Visuais da UFPB

Membro da Associação Brasileira de Críticos de Artes - ABCA